domingo, 17 de janeiro de 2016

DIAS 9 A 12 - 14-17/01/2016 - BELÉM - TERESINA - GILBUES (PI) - BRASÍLIA

Égua!! É assim que fala em Belém quando se quer dizer qualquer coisa. Serve pra legal, chato, forte, grande, longe, pequeno... Depende do contexto e da entonação, tipo chinês. Fiquei com esta palavra na cabeça quando cruzamos 5 Estados e entramos no Distrito Federal em 3 dias, mais de 2.600 km.
 
Quando saímos de Belém em direção a Teresina, fiquei preocupado com o que iríamos encontrar, pois entrávamos no interior de Estados pobres do Nordeste brasileiro, com os quais temos contato apenas pelos jornais, e nunca as notícias que chegam são boas. Como rendemos bastante no primeiro trecho de 200 km, em uma pista simples com asfalto de boa qualidade, passei a ficar mais tranqüilo. O caminho que nos levou do Pará ao Piauí foi deslumbrante. Paisagens impressionantes e muito diferentes entre si. Vegetação colorida e abundante. Muita água, em lagoas e rios de todos os tamanhos. 
 
A paisagem passa a ficar menos interessante ao avançarmos de Teresina em direção ao interior do Piauí. Ali a natureza exibe sua opulência, com áreas muito áridas ou mesmo que sufocam o viajante ao invadir a pista em vegetação muito espessa. O homem também faz sua parte, despejando lixo ao longo da rodovia, em um cenário de absurdo desrespeito consigo mesmo.
 
Chegamos em Gilbues, cidadezinha no meio do Piauí, onde fomos bem recebidos por alguém que passa suas férias em Brasília mas não troca o Piauí por muitas razões. Hotel barato, muito bom, não apenas para os padrões do local, graças ao movimento da BR-135, que passa dentro desta e de outras cidades ao longo do interior nordestino. Esperava ver mais do que falam que é o interior do Nordeste, mas não foi assim. Lugarejos muito simples, poucas escolas, mas também cidades limpas, arborizadas e organizadas. Não vi pobreza extrema, mas circulamos por lugares alcançados por uma das principais estradas da região, então minha avaliação com certeza não foi completa.
 
Da Bahia voltando ao Goiás o relevo foi marcante. Montanhas, serras, chapadas, muita natureza. Lamentei demais nestes 3 últimos dias por não estar com a câmera que levo no guidão e fotografo em movimento, pois eram tantas as paisagens para se registrar, mas sem um lugar adequado para parar a moto.
 
O que não fotografei guardei na memória, mas preciso voltar em breve com meus filhos e mostrar que o Brasil é muito maior do que nos contaram. 
 
Comemos bem em todos os lugares que paramos. Pouco misto quente, comida de verdade desta vez. Comida barata a partir do Goiás. Mas só isto. Em geral, tudo caro. Combustível até de R$ 4 o litro. "O dinheiro não vale mais nada", como dizia minha avó...   
 







Juliano e Eva - Gilbues (PI)


Gilbues (PI)


Moto viajada



   
Almoço com Fernando e Karin no DF - velhos amigos do Ruy e novos meus
 

Placa no DF (créditos: Ruy)

 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

DIAS 6, 7 E 8 - 11-13/01/2016 - IMPERATRIZ - BELÉM DO PARÁ - 620 KM

Descrever o Brasil é difícil. País grande, bonito por natureza, cheio de contrastes, mas com muita coisa em comum. Isto é explicação para quem não é daqui, ou mesmo para um brasileiro?!

O Maranhão que conhecemos ao longo da Transbrasiliana tem vegetação que lembra o Paraná ou o Rio Grande do Sul, com exceção das numerosas palmeiras ao vento. Uma casa de pau-a-pique e alguns táxis-carroças nos lembram que não estamos mesmo no PR. Os bairros na chegada de Imperatriz não são nada diferentes daqueles das periferias das grandes cidades, ainda que o "estilo arquitetônico" das simplórias casas de alvenaria seja outro. Do Maranhão ao Pará as áreas abertas para a agricultura são imensas, incomparáveis com a maior das fazendas do Sul ou Sudeste. Após a divisa com o Pará, grandes reflorestamentos dominam a paisagem, somados a muitos espaços com vegetação queimada e a inúmeras madeireiras, sendo constante o movimento de caminhões bi-trem transportando árvores recém derrubadas.

A falta de ostensividade da Polícia Rodoviária Federal, especialmente desde o Goiás, fez com que não fossemos parados nenhuma vez, depois de mais de 3.200 km rodados. Coincidência ou não, em todos os prédios da PRF pelos quais passamos o expediente era apenas interno.

A chegada em Belém demorou para acontecer, depois de forte calor e panes elétricas das duas motos, sempre em frente ou dentro de postos de combustível. Duas pro Ruy, uma pra mim. Minha bateria "arriou", mas o Ruy sempre carrega na moto um equipamento que funciona como bateria auxiliar, com carga para até 8 partidas. Três ignições ela encarou até que providenciei a troca na Oficina do Arthur, ex-mecânico da Força Aérea que fez um trabalho rápido e eficaz. Chegamos lá por indicação do Barriga, do Pará MC, que não por mera coincidência e sim por obra dos deuses do motociclismo estava na recepção do hotel logo após nossa chegada, com um indefectível colete preto do seu Moto Clube.


Problema resolvido, vamos rodar hoje à noite pela cidade com a turma do Barriga, conhecendo um pouco de Belém sobre duas rodas.   

    





Ruy adorou o macacão - 35 graus fora - imagine dentro







Esta já era!

Juliano e Arthur - agora sim!

Oficina do Arthur - Belém 

Organização e limpeza

P.S.: Vários moto-clubes reunidos ontem. Passeio pela cidade muito legal. Segundo o Governo de SP, 40 motos. Segundo os organizadores, mais de 200.Show.

Barriga e grande elenco

domingo, 10 de janeiro de 2016

DIA 5 - 10/01/2016 - PALMAS - IMPERATRIZ (MA) - 630 KM

A viagem de Palmas a Imperatriz foi um passeio. Estrada boa, tráfego de domingo, chuvas esparsas e moderadas e visual impressionante logo que entramos na TO-010, saindo de Palmas, quando percorremos mais de 50 km com o Parque Estadual do Lajeado de um lado e o Rio Tocantins do outro.

Chegamos ao Maranhão sem grandes dificuldades, fazendo o que temos feito desde o início: contemplando a natureza, conversando com os locais e viajantes, especialmente caminhoneiros, experimentado comidas típicas, valorizado o que temos recebido espontaneamente de cada um que encontramos.

Destaque do dia vai para o encontro do Ruy, ainda de madrugada no café da manhã, com um cover da Banda Calypso. Pena que eu já estava na moto aguardando a decolagem...




Dispensa legenda

Parque Estadual do Lajeado










Morro do Segredo

Morro da Lua

Ruy e Vandineia

Chegada no MA

Selfie







sábado, 9 de janeiro de 2016

DIAS 3 E 4 - 08-09/01/2016 - GOIÂNIA - PALMAS - 880 KM

Por enquanto, este foi o dia mais desafiador da viagem. Menos pela distância, mais pela estrada, chuva, buracos, movimento de caminhões, caminhonetes e o que mais passou despercebido.

Pista dupla até Anápolis, sobraram então 820 km para nos preocuparmos com o trânsito no sentido oposto, fora todos os outros fatores. Mas mesmo assim conseguimos andar bem. A estrada não é boa, mas não serve pra ruim. A Brasília-Belém é a principal ligação do Norte com o Centro do país, então devia ser melhor, mas inegavelmente, até Palmas, cumpre sua função.  

Pegamos duas tempestades intermináveis, temperatura baixa pra região (22 graus), sol no meio delas, pra chegar em Palmas à noite, com neblina, chuva, luz alta na viseira molhada, mas sem buracos. Combinação terrível, superada com cuidado e baixa velocidade. "Horas de vôo", segundo o Ruy.

Palmas serviu para descansar. Dormimos bem, comemos muito bem. Almoço no Cabana do Lago, por sugestão do Ricardo Minikovski, paranaense radicado no TO e amigo do companheiro motociclista Edgar Barbosa. Restaurante de comida regional, pedimos a carne de sol de picanha. Excelente dica.      


Até aqui fomos muito bem recebidos em todos os lugares, começando lá no Petropen. Borracharias, restaurantes, pedágios, taxis, tudo. Uma curiosidade das pessoas que conhecemos, e que nas outras viagens foi esporádica mas nesta vem sendo constante, é sobre o parentesco meu e do Ruy. Pai e filho, amigos, tio e sobrinho, até casal gay, já foram os palpites.    


Mais uma fronteira
Ruy de canarinho

Pausa para almoço


No hotel - Secagem ao vento



DIA 2 - 07/01/2016 - UBERABA - GOIÂNIA - 470 KM

Temos tido sorte de ter problemas mecânicos nos dias certos. Queríamos chegar para o almoço e piscina com o Paulo Marcelo em Goiânia, amigo meu "do" Goiás que morou em Curitiba até 2014, mas não foi possível. Em vez de almoço, jantar então.

Chegando no Trevão, posto na BR-153 depois de Uberlândia, quase 200 km de viagem, o Ruy sentiu a roda dianteira fazer um " shiming", como ele mesmo descreveu, e o freio precisar de uma segunda "bombada" para funcionar. Nossas lições no curso do Fernando, renomado mecânico senior da BMW e atual proprietário da Touring Motos foram úteis e "rapidamente" identificamos problema no rolamento da roda. Entre decidir o que fazer e resolver o problema, quase 5 horas se passaram. Guincho até Itumbiara - GO foi a melhor escolha, pois quando abrimos a roda o rolamento estava destruído, o que significava chances grandes de travar a roda em movimento. Idéia de acionar o seguro do Gerrayd, da auto peças do posto, na qual nem pensamos, obcecados por seguir viagem em busca de conserto no caminho, o que seria um risco evidente. Atendimento imediato, atencioso e eficaz do mecânico Guilherme da Unimotos, depois de não sermos atendidos na concessionária da Honda na cidade, para onde fomos unicamente após contato telefônico e agendamento do serviço. A alegação para a recusa foi de que somente consertam hondas, mesmo que o rolamento da BMW seja um que é usado em qualquer moto da própria Honda ou Yamaha. Cidade de pouco mais de 100 mil habitantes com infinitas motos, há lojas de peças e acessórios e oficinas de motos em cada esquina. Para nós isto foi providencial.


Chegamos em Goiânia antes das 19 horas, direto no hotel e dali pro Restaurante Kabanas, com o PM e família. Companhia excelente, aperitivos e 4 chops de 500 ml depois, já estávamos de volta ao quarto para acordar em menos de 6 horas, rumo à capital do TO.


Divisa SP-GO


Auto Peças 

Gerrayd da Auto Peças 
Alan e Juliano






Quer uma força??



Recolocando a roda

Rolamento danificado

Ruy e Guilherme

Bolo e energético em Professor Jamil - GO